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Mercosul-UE: Argentina e Uruguai esgotam cotas de arroz

A falta de consenso sobre a divisão interna das cotas agrícolas do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia gerou a primeira disputa direta entre os países do…
Por Nerd da Hora · · 2 min de leitura

A falta de consenso sobre a divisão interna das cotas agrícolas do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia gerou a primeira disputa direta entre os países do bloco sul-americano. Aproveitando o critério transitório First-In, First-Out (Fifo), segundo o qual preenche o teto quem registrar as exportações primeiro, a Argentina e o Uruguai esgotaram integralmente as cotas isentas de tarifas para produtos como arroz e ovos nesse primeiro mês de vigência do tratado, iniciado em 1º de maio.

O movimento frustrou novas solicitações de licenças de exportadores brasileiros e expôs as assimetrias operacionais na largada do livre-comércio transatlântico. Segundo dados divulgados por autoridades regionais na última semana, a cota anual de 6.667 toneladas de arroz destinada ao bloco para 2026 foi totalmente preenchida.

Servidora do Ministério de Economia e Finanças do Uruguai, Valeria Csukasi detalhou em sua conta na rede social X que o país capturou 63% desse volume total, feito também celebrado pelo presidente do país, Yamandú Orsi. O restante da cota de arroz foi coberto pela Argentina.

No segmento de ovos, o ministro da Desregulação e Transformação do Estado da Argentina, Federico Sturzenegger, informou que os produtores argentinos garantiram 100% da cota com preferência tarifária para o mercado europeu, além de uma fatia expressiva no mercado de mel. Segundo o ministro, o desempenho foi impulsionado pela agilidade da nova guia digital da Janela Única de Comércio Exterior (VUCE) argentina, lançada no dia 3 de maio.

Disputa expõe desafios logísticos

A diferença na velocidade de adaptação aos novos sistemas digitais de exportação entre os países do Mercosul foi apontada como um dos principais fatores para o resultado. Enquanto a Argentina e o Uruguai conseguiram registrar rapidamente seus produtos, o Brasil enfrentou dificuldades burocráticas que atrasaram o processo de solicitação das licenças.

Especialistas do setor avaliam que a situação acende um alerta para o Brasil, que precisa modernizar seus procedimentos de comércio exterior para não perder oportunidades futuras no acordo com a União Europeia. A expectativa é que o governo brasileiro revise as regras de distribuição das cotas para evitar que o cenário se repita com outros produtos.

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