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Fonar: Questionário identifica controle disfarçado de amor

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) criaram o Formulário Nacional de Avaliação de Risco (Fonar), um questionário para identificar fatores de risco…
Por Nerd da Hora · · 2 min de leitura

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) criaram o Formulário Nacional de Avaliação de Risco (Fonar), um questionário para identificar fatores de risco em mulheres vítimas de violência doméstica. A ferramenta, prevista em lei, pode ser usada por órgãos de segurança, Ministério Público, Judiciário e entidades de proteção.

As perguntas são divididas em blocos e abordam o histórico de violência, o comportamento do agressor e a situação da vítima. O objetivo é medir o grau de risco. A psicóloga Giovanna Loubet Ávila afirma que o formulário ajuda a tornar concretos sinais que muitas vezes são vistos como cuidado dentro de relações abusivas.

Entre esses sinais estão controlar a roupa da mulher, exigir senhas de celular e redes sociais, decidir com quem ela pode falar e sugerir o afastamento de amigos e familiares. “São comportamentos lidos como prova de amor, mas que mostram posse e controle”, diz a especialista. O questionário pergunta se o agressor proíbe a mulher de trabalhar, estudar ou visitar parentes, se vigia os lugares que ela frequenta e se impede o acesso ao próprio dinheiro.

O Fonar também inclui perguntas sobre disputas de guarda dos filhos, problemas financeiros, uso de álcool e ameaças de suicídio do agressor. Segundo Giovanna, esses pontos são indicadores de risco. Ela explica que a literatura sobre feminicídio aponta fatores como histórico de agressões, acesso a armas, uso de drogas e conflitos de guarda como sinais de perigo.

A primeira parte do formulário tem perguntas de múltipla escolha e pode ser respondida pela vítima, com ou sem ajuda, ou por um terceiro. A mulher pode se recusar a preencher. A segunda parte é feita por um profissional, que realiza uma avaliação complementar.

Em Mato Grosso do Sul, foram registrados 12 feminicídios em 2026 até o momento. No ano passado, o estado teve 37 casos, segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). A reportagem procurou o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) e a Sejusp para saber se o formulário é usado no estado, mas não obteve resposta.

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